Título: Modelado Cársico no Concelho de Loulé

Enquadramento Geográfico e Geomorfológico

O Algarve é a região mais meridional de Portugal, tem uma área aproximada de 4899 km2, constituindo 5,5% do território continental português (Pena e Cabral, 1997).

O Concelho de Loulé ocupa uma faixa da região do Algarve entre o oceano e Atlântico e o Alentejo, sendo o mais extenso do Distrito de Faro como uma área aproximada de 76.500Ha e o mais populoso a seguir ao Concelho de Faro. O clima é do tipo mediterrânico, caracterizado por invernos amenos e chuvosos e verões quentes e secos (Costa, 1995).

A figura abaixo mostra a localização do Concelho de Loulé.

A diversidade morfológica da região algarvia levou os geomorfólogos a subdividi-la em sub-regiões. Gouveia (1939) considera três sub-regiões morfológicas: o Baixo Algarve (Beira-Mar ou Litoral Algarvio), o Algarve Calcário (Barrocal Algarvio) e o Alto Algarve (Serra Algarvia).

A figura seguinte evidência as três sub-regiões que constituem a região algarvia.

Breve descrição do Barrocal Algarvio Breve descrição da Serra Algarvia Breve descrição do Litoral Algarvio

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Litoral Algarvio

O Litoral Algarvio é bastante diversificado quer em termos litológicos quer morfológicos, dividindo-se tradicionalmente em três sectores: – sector Ocidental, onde as arribas são talhadas em rochas do Paleozóico; – sector Meridional Oeste (Barlavento Algarvio) desenvolvido em formações essencialmente do Cenozóico; – e o sector Meridional Este (Sotavento Algarvio) com arribas arenosas, atribuídas ao Pliocénico e Plistocénico, e com extensas praias de areias holocénicas. Sobre este soco poligénico desenvolve-se uma superfície aplanada com cotas que variam entre os 150 m, no sector Ocidental, e os 50 m, no sector Meridional Oeste, designado por Planalto Litoral. A este da região do Ancão desenvolve-se a Planície Litoral, que apresenta 5 Km de largura média na região de Faro, tornando-se sucessivamente mais estreita para este, elevando-se suavemente para norte até à primeira linha de relevos mesozóicos. Esta planície é talhada principalmente em formações detríticas pós-miocénicas (Moura e Boski, 1999 e Moura, 1998).

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Barrocal Algarvio

A zona central do Algarve, designada por Barrocal Algarvio, é formada essencialmente por rochas mesozóicas, essencialmente carbonatadas, cuja base assenta em discordância angular sobre o soco paleozóico. O relevo é formado por uma série de alinhamentos E – W, condicionados por vales de fractura ou de erosão diferencial, erosão esta devida à heterogeneidade litológica (Silva, 1988). A estrutura monoclinal das rochas mesozóicas condicionou a formação de pseudo-mesas – Rocha de Messines, 348 m e Rocha da Pena, 480 m – ou de costeiras – Gralheira, 281 m e Rocha dos Soidos, 467 m (Feio, 1952; Crispim, 1982; Silva, 1988). As características litológicas e paleo-ambientais, produziram nas rochas carbonatadas um modelado cársico bastante variado e por vezes exuberante. Podemos assim encontrar, por exemplo, lapiás, dolinas, uvalas, vales secos, poljes e grutas.

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Serra Algarvia

A zona mais setentrional do Algarve, a Serra Algarvia, é formada por argilitos por vezes com xistosidade e grauvaques, dobrados, com idade compreendida entre o Devónico superior e o Carbónico, os quais constituem o Grupo de Flysh do Baixo Alentejo. A relativa homogeneidade litológica, a baixa permeabilidade e a dureza dos terrenos, produziram uma rede hidrográfica densa, hierarquizada e bem encaixada (Silva, 1988).

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